Uma falsificação convincente não custa nada para montar. Logotipos, fontes, diagramação e até o cadeado na barra de endereço podem ser copiados numa tarde. A única coisa que um golpista não consegue copiar é o nome de domínio, e é por isso que toda verificação confiável termina em ler a URL direito.

Assinaturas adultas atraem esse ataque por um motivo específico: dificilmente a vítima vai ligar para o suporte, encaminhar o e-mail para um colega ou fazer barulho depois. A discrição é a alavanca. Perceber que o constrangimento faz parte do projeto do ataque já é, em si, uma defesa.

Como ler uma URL corretamente?

Leia da direita para a esquerda, não o contrário. O domínio que importa é o rótulo imediatamente antes do domínio de topo.

Tudo o que estiver à esquerda dele pode ser escolhido livremente por quem controla o domínio, inclusive palavras de aparência tranquilizadora:

URL como aparece Domínio registrado Veredito
account.example.com/billing example.com Pertence a example.com
example.com.billing-secure.xyz billing-secure.xyz Domínio do golpista
example-billing.com example-billing.com Outro domínio, completamente diferente
examp1e.com examp1e.com Homóglifo — o dígito um no lugar da letra l
example.com@evil.tld/pay evil.tld Tudo antes do @ é ignorado

Mais duas armadilhas. Domínios internacionalizados podem exibir caracteres cirílicos ou gregos visualmente idênticos aos latinos; os navegadores em geral mostram esses endereços em punycode, com xn--, então uma barra de endereço com xn-- numa marca conhecida é falsificação certa. E no celular a barra de endereço corta o texto — toque nela para abrir a URL inteira antes de julgar qualquer coisa.

Onde o formulário do cartão deveria estar, afinal?

Numa página em que você não entrou por conta própria, ele não deveria existir.

A maioria dos comerciantes legítimos não quer encostar no número do seu cartão, porque lidar com ele diretamente impõe uma carga de conformidade muito mais pesada. Ou eles te redirecionam para o domínio da própria processadora de pagamento, ou embutem os campos do cartão num iframe entregue pela processadora. De um jeito ou de outro, o número é digitado na página da processadora, não na do comerciante.

As verificações práticas:

  • Foi você que começou isso? Uma página de cobrança à qual você chegou clicando num link de e-mail é uma coisa bem diferente daquela à qual você chegou digitando o endereço do site e fazendo login. Só a segunda é verificável.
  • O site já tem o seu cartão? Assinantes ativos quase nunca precisam redigitar o número completo do cartão. "Confirme novamente seus dados de pagamento" é um dos indícios isolados mais fortes de falsificação.
  • O formulário pede mais do que um pagamento exige? Número do cartão, validade, CVC e CEP são um pagamento. Acrescentar data de nascimento, número de documento, senha da conta, nome de solteira da mãe ou foto do cartão é colheita de credenciais.
  • O pedido do CVC se repete? Um fluxo verdadeiro pergunta uma vez.

Quais sinais separam uma página falsa de uma página de cobrança real?

Compare com o que a versão legítima faz, em vez de procurar erros — as falsificações modernas têm pouquíssimos.

Sinal Página de phishing Página legítima
Como você chegou Link em e-mail, mensagem direta ou anúncio Você digitou o endereço e entrou na conta
Domínio Parecido, com hífen ou sem relação nenhuma O domínio registrado do próprio site
Tom Prazo, ameaça de suspensão, "aviso final" Neutro, sem contagem regressiva
Dados pedidos Cartão mais senha mais documentos de identidade Só os campos do cartão
Digitação do cartão Campos hospedados na mesma página Domínio da processadora ou iframe da processadora
Canal de suporte Telefone ou link de chat na própria página Canal de contato dentro da sua conta logada
Estado do login Pede que você entre de novo para "verificar" Você já está logado
Idioma Pequenos deslizes de gramática, moeda inconsistente Coerente com o resto do site

E os e-mails que dizem ter vídeos seus?

Trate a sextorsão como spam com uma ameaça acoplada. A versão padrão cita uma senha que você reconhece — tirada de uma lista de vazamento antiga, não do seu aparelho — e afirma ter gravações da webcam.

O detalhe revelador é que essas mensagens nunca trazem o material, porque ele não existe. Elas trazem uma senha, um prazo e um endereço de carteira. Se um golpista tivesse mesmo as imagens, a primeira mensagem viria com um quadro delas.

A resposta certa é não pagar nada, não responder nada e trocar a senha citada em qualquer conta que ainda a use. Pagar te identifica como alguém que paga e produz, sem falta, uma segunda cobrança.

E se você já digitou seus dados?

Aqui a ordem importa mais do que a pressa, ainda que as duas coisas ajudem.

Passo Por que ele vem nessa posição
1. Ligue para o emissor do cartão pelo número impresso nele Bloquear o número interrompe o prejuízo; nunca use um número que esteja na página ou no e-mail suspeito
2. Troque a senha que você digitou, no site verdadeiro Parta do princípio de que as credenciais foram capturadas no instante do envio
3. Troque essa senha em todo lugar onde você a reaproveitou O teste automatizado dessas credenciais em outros serviços vem em poucas horas
4. Encerre todas as sessões na conta verdadeira Um token de sessão roubado sobrevive à troca de senha em algumas plataformas
5. Confira as opções de recuperação da conta Golpistas adicionam um e-mail ou telefone de recuperação para manter o acesso
6. Revise a fatura em busca de cobranças pequenas de teste O teste do cartão vem antes da cobrança de verdade

Uma omissão proposital: não reaja instalando a ferramenta de "segurança" que a página ou o e-mail recomenda. Essa é uma segunda etapa conhecida do mesmo ataque, e ela transforma um problema de cartão num problema de aparelho.

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